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Fiocruz investe na capacitação para aprimorar área de relações internacionais

Em evento no auditório do Museu da Vida, a Fiocruz lançou na terça-feira (21/8) o Programa de Desenvolvimento de Pessoas do Sistema de Relações Internacionais (ProdeRI). O objetivo do Programa, de acordo com Carla Kaufmann, coordenadora da Escola Corporativa Fiocruz, é qualificar a atuação da instituição em Diplomacia da Saúde e Ciência e Tecnologia em Saúde por meio de soluções educacionais e desenvolvimento de competências do quadro de trabalhadores que atuam no sistema de relações internacionais da Fiocruz. O vice-presidente de Educação, Informação e Comunicação (VPEIC), Manoel Barral Netto, e o chefe do Centro de Relações Internacionais em Saúde (Cris) e ex-presidente da Fiocruz, Paulo Buss, participaram do lançamento.

Em sua fala inicial Kaufmann discorreu sobre o histórico da parceria entre o Cris e Escola Corporativa, que culminou na elaboração do Programa. Seguindo sua apresentação, a coordenadora da Escola apresentou a dinâmica do ProdeRI, que terá uma carga horária de cem horas aula em módulos presenciais (48 horas) e à distância (52 horas). Em sua primeira edição, a iniciativa capacitará 32 trabalhadores da instituição que atuam direta ou indiretamente com projetos frutos de cooperação internacional. O cronograma prevê atividades até o fim de maio de 2019.

Kaufmann destacou que o Programa atuará em três dimensões: conceitual, contextual e de integração. A primeira tem por objetivo melhorar o entendimento dos aspectos conceituais envolvidos nas atividades do Sistema de Relações Internacionais, já a segunda dimensão dialoga com questões do cenário internacional e as especificidades da instituição. Por fim, a integração está inserida na promoção e fortalecimento das redes de interação e aprendizagem deste sistema. O conteúdo programático será dividido também em três módulos, ressaltando as dimensões político estratégicas nas relações internacionais, a cooperação internacional e a gestão das relações internacionais.

Orientação Internacional da Fiocruz

O vice-presidente de Educação, Informação e Comunicação destacou a parceria positiva entre Cris e Escola Corporativa e a importância da cooperação internacional na pesquisa em educação no sentido da evolução humana, sobrevivência integrada e harmonia entre diferentes povos e culturas. “É impossível imaginar a formação científica sem olhar nada ao redor. O problema não está restrito a um local. Não é à toa que a pesquisa está diretamente associada à divulgação científica”, frisou. Para Barral, a importância do ProdeRI está também ligada à capacidade de contribuição da Fiocruz na área de cooperação internacional com a liderança do Cris e a integração com a Escola. “A Fiocruz se beneficiará desta iniciativa porque teremos um reforço enorme na nossa atuação em relações internacionais”, disse.

O vice-presidente enfatizou também o momento atual de crise e afirmou que mesmo diante deste cenário é insensato abandonar as atividades de internacionalização da cooperação científica, não descartando, no entanto, que as conquistas podem sofrer uma redução em consequência da desaceleração econômica. Barral fez uma análise sobre o campo da educação na Fiocruz, ligada em grande parte à pesquisa com vista ao reforço de valores humanísticos. Neste sentido, lembrou algumas ações institucionais recentes que valorizam a internacionalização, como a aprovação pela Câmara Técnica de Educação de temas transversais que devem ser tratados com os estudantes, com destaque para a internacionalização, e a aprovação pelo CD Fiocruz da Política de Internacionalização da instituição.

ProdeRI teve sua primeira aula

O encerramento do evento ficou à cargo de Paulo Buss, que também ministrou a aula inaugural do Programa abordando o tema da governança global e para a saúde. Buss destacou a parceria com a Escola Corporativa, especialmente nas contribuições didático-pedagógicas que fugiam ao foco de trabalho realizado pelo Cris. Para ele, a cooperação internacional está no DNA da Fiocruz. Para ilustrar sua afirmação, o chefe do Cris lembrou das placas de bronze presenteadas por entidades internacionais, localizadas no primeiro andar do Castelo, que referenciam o trabalho de Oswaldo Cruz e Carlos Chagas. “Ali está a matriz da inserção da Fiocruz na construção nacional e nas relações internacionais”, afirmou.

Paulo Buss enfatizou que o Programa vai além da cooperação internacional em saúde, abrangendo também a ciência, tecnologia e inovação em saúde, áreas que estão no “metiê da Fiocruz”. Para Buss é preciso deixar clara essa ampliação do escopo do Programa no sentido de que a diplomacia em C&TI está associada ao conjunto de políticas e procedimentos para implementação de uma coordenação internacional em investigação científica e transferência de tecnologias e ações conjuntas para o desenvolvimento da sociedade e das instituições.

*Foto: Cris/Fiocruz