
O Programa de Integração de Novos Servidores, conduzido pela Escola Corporativa Fiocruz (ECF/Cogepe), realizou, no dia 6/11, webinário sobre ciência responsável voltado para os servidores que ingressaram na Fiocruz pelo concurso de 2023.
As pesquisadoras da Fiocruz Ximena Illarramendi, Tatiana Maron-Gutierrez e Carmen Penido conversaram com os novos trabalhadores sobre ética e integridade em pesquisa, abordando o compromisso com os sujeitos de pesquisa e com a credibilidade do conhecimento produzido.
Inicialmente, Ximena falou sobre ética em pesquisa com seres humanos, apresentando o conceito e os direitos básicos dos participantes. “Ética em pesquisa se refere à conduta responsável em todas as fases da pesquisa e com foco nos seus participantes. Estamos falando da postura desde a sua concepção e planejamento, seu desenvolvimento, até a publicação e pós-publicação, quando um pesquisador deve corrigir um artigo científico se observar mudanças ou erros que alterem resultados ou sua conclusão.”
Ximena apresentou um panorama histórico de marcos nacionais e internacionais de ética em pesquisa, desde o Código de Nuremberg (1948) até a Lei nº 14.874/2024, que estabelece novas regras para a pesquisa com seres humanos no Brasil. A pesquisadora comentou brevemente a lei, fazendo alertas sobre o seu impacto, “uma lei que vê a saúde como mercadoria”. Também apresentou o Fórum de Comitês de Ética em Pesquisa da Fiocruz, existente desde 2011.

Na sequência, Tatiana Maron-Gutierrez abordou a ética em pesquisa com animais e reforçou a importância da experimentação animal para a ciência e saúde pública. “Quando pautada pela ética e regulamentação, a experimentação animal tem sido historicamente crucial para o avanço da ciência e saúde pública”.
A pesquisadora explicou que, desde 1959, cientistas britânicos propuseram aprimorar o manejo de animais em experimentação com os princípios 3Rs (Refinemet – refinamento, Replacement – substituição e Reduction – redução), Mencionou, ainda, outros 3Rs atualmente defendidos: robustez, registro e relato.
Tatiana apresentou conjuntos de diretrizes para o planejamento e a condução de experimentos com animais, que buscam evitar desperdícios (PREPARE) e recomendações para garantir divulgação completa e transparente (ARRIVE). Ela também comentou a legislação brasileira que regulamenta a experimentação com animais, a Lei nº 11.794/2008, conhecida como Lei Arouca, que criou o Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal (Concea). “Toda instituição que cria ou utiliza animais para fins científicos deve estar credenciada junto ao Concea e, para isso, deve ter uma Comissão de Ética no uso de animais (Ceua)”. Por fim, Tatiana apresentou as competências das Ceuas e listou as seis existentes na Fiocruz.

E, seguida, Carmen Penido, atual coordenadora da Comissão de Integridade em Pesquisa (CPI), abordou os padrões comportamentais esperados dos pesquisadores e dos princípios em integridade e pesquisa, trazendo reflexões sobre eles, entre eles a imparcialidade. “A imparcialidade tem relação direta com a robustez do conhecimento. É uma tendência do ser humano querer comprovar suas hipóteses, e é muito sedutor pensar em fazer grandes descobertas. De certa forma é frustrante se nossas hipóteses e expectativas não sendo atendidas, mas faz parte do amadurecimento profissional saber lidar com isso e entender que hipóteses podem ser derrubadas e não comprovadas”, reforçou.
Carmen destacou que o movimento pela integridade em pesquisa tem se fortalecido desde a década de 1980, quando ficou evidente caos de má conduta e foram identificadas fragilidades nas publicações científicas. A pesquisadora citou o caso do microbiologista francês Didier Raoult, que publicou artigo defendendo o uso de hidroxicloroquina no tratamento da Covid-19, posteriormente retratado em 2025. “A honestidade é um princípio que diz respeito a toda condução da pesquisa e sua comunicação”, reforçou Carmen.
Para finalizar, Carmen apresentou a Comissão de Integridade em Pesquisa (CIP) da Fiocruz e suas competências, destacando o seu papel consultivo e de apoio às ações educativas. Ela também incentivou os novos servidores a conhecerem o Guia de Integridade em Pesquisa da Fiocruz.
