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Fiocruz apresenta experiência do curso Comportamentos Mais Seguros em encontro do Programa Acesso

O assessor da coordenação da Escola Corporativa Fiocruz (ECF), Luiz Assis, e o coordenador de programas da Escola, Bruno Vantine, estiveram em Brasília entre os dias 16, 17 e 18 de junho, para participar de encontros do Programa Acesso, iniciativa do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) que tem a Fiocruz entre as instituições parceiras.

Os profissionais da Escola acompanharam a equipe da Coordenação de Atenção à Saúde da Vice-Presidência de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde (CAS/VPAAPS) no evento.

O Programa Acesso, criado em 2009, no Rio de Janeiro, apoia instituições no fortalecimento de capacidades de gestão de riscos em contextos de violência armada, contribuindo para mitigar os impactos da violência nos serviços públicos essenciais. Desde 2023, a Fiocruz mantém um acordo de cooperação com o CICV para disponibilizar o curso on-line Comportamentos Mais Seguros a trabalhadores e estudantes da instituição. Ele foi desenvolvido com base nos protocolos internos da Cruz Vermelha e em seus mais de 160 anos de experiência em contextos complexos e inseguros.

“O Programa Acesso tem quatro eixos de atuação: análise de contexto, gestão de risco, gestão de crise e gestão do estresse. O curso Comportamentos Mais Seguros tem funcionado como uma porta de entrada para as instituições compreenderem a metodologia do Programa Acesso, que é amplo”, explicou Giselle Corrêa, à frente do Acesso no CICV. 

Fiocruz contribui para o aperfeiçoamento da metodologia

Em 2025, a Escola Corporativa uniu-se à Coordenação de Atenção à Saúde para viabilizar a oferta do curso Comportamentos Mais Seguros no Campus Virtual Fiocruz. Até então, ele era disponibilizado exclusivamente pela plataforma do CICV.

Além de adaptar o curso para o ambiente virtual da Fiocruz, a Escola Corporativa colaborou com a Coordenação no aperfeiçoamento da metodologia, contribuindo com a implementação de etapas presenciais: uma oficina de sensibilização, destinada a introduzir a temática e destacar sua importância para os trabalhadores, e um workshop de encerramento, voltado à troca de experiências e à discussão de medidas de que possam contribuir para o aprimoramento dos planos de contingência de riscos nos diferentes territórios. Na Fiocruz, o curso passou a ser ofertado em três etapas: oficina de sensibilização, curso on-line e workshop de encerramento.

“O curso on-line é excelente em conteúdo, mas queríamos ir além da transmissão de conhecimentos e estimular mudanças de comportamento. As etapas presenciais favorecem a interação entre os participantes, articulam teoria e prática e fortalecem o aprendizado em rede, foco da educação corporativa”, explicou Luiz Assis.

O projeto-piloto de metodologia híbrida foi implementado na Fiocruz Mata Atlântica entre novembro de 2025 e março de 2026. “A Fiocruz Mata Atlântica foi fundamental nesse processo. A coordenação, por meio de Ricardo Moratelli, abriu espaço para que o curso fosse oferecido a todo o campus, demonstrando preocupação com o bem-estar de quem trabalha e circula nesse território. A experiência permitiu realizar ajustes e criar condições para replicar a iniciativa em outras unidades da Fiocruz”, afirmou Ana Lourdes Rocha, analista de gestão da CAS/VPAAPS.

A experiência na Fiocruz Mata Atlântica permitiu validar a metodologia híbrida e confirmar a importância das etapas presenciais. “Ao lançar o curso no formato híbrido, a Fiocruz assume um papel pioneiro no país. Como cada território e unidade possui especificidades e sinais de risco próprios, as etapas presenciais tornam-se valiosas. Trata-se de uma metodologia viva, desenhada para integrar a segurança ao cotidiano e, acima de tudo, salvaguardar vidas”, explicou Fernanda Vogel, analista de gestão da CAS/VPAAPS.

Em Brasília, Fernanda Vogel e Luiz Assis apresentaram a experiência desenvolvida na Fiocruz Mata Atlântica no XI Encontro Nacional da Rede do Programa Acesso. O encontro, realizado anualmente, congrega pontos focais e integrantes de grupos de suporte, que são servidores da média gestão que fazem a articulação com a alta gestão de cada instituição e com o CICV para garantir a boa implementação do programa.

“É claro que não vamos resolver o problema da segurança pública, que é uma responsabilidade do Estado. Mas, como instituição, buscamos contribuir para que as pessoas adotem comportamentos que tragam mais segurança para elas. Pelas avaliações recebidas, podemos afirmar que o curso tem colaborado nesse sentido”, destacou Luiz.

Robson Santos, coordenador de TI da Fiocruz Mata Atlântica, foi um dos participantes do projeto-piloto. Durante o período em que fazia o curso, Robson vivenciou uma situação de risco e relata como colocou em prática os conhecimentos adquiridos.

“Ouvimos tiros nas proximidades e, naquele momento, percebi que estava distante do local identificado como mais seguro para abrigo. Esse local foi identificado a partir do curso. Fui para esse ponto e passei pelas salas orientando os colegas a fazerem o mesmo. O treinamento nos ajuda a saber como agir em situações de risco. Uma coisa é reagir apenas por instinto; outra é ter informações e orientações que permitem tomar decisões mais seguras”, comentou.

A engenheira florestal Renata Carrione, que trabalha com gestão e restauração ecológica na Fiocruz Mata Atlântica, também participou do projeto-piloto. “Um treinamento como esse já era uma demanda nossa. Sentíamos a necessidade de aprender mais sobre como agir de forma segura em situações de risco. O curso trouxe novidades, especialmente em relação à observação do território. Hoje, procuro estar mais atenta ao ambiente ao meu redor, observando o movimento do comércio e o trajeto até o campus para identificar sinais de alerta. Passamos a ter mais conhecimento sobre como nos proteger e atuar em equipe”, disse.

Novos facilitadores do programa

No dia 16 de junho, Bruno Vantine participou do III Encontro de Facilitadores do Programa Acesso para se capacitar para atuar como facilitador. A analista de gestão da CAS/ CAS/VPAAPS, Geiza Soares, também. O encontro é anual e treina os profissionais indicados pelas instituições parceiras.

“Além de conhecer um pouco mais a proposta do Programa Acesso, o encontro permitiu compartilhar experiências com profissionais que atuam em escolas públicas, unidades de saúde e outras instituições. A aproximação e a troca foram muito ricas”, destacou. A rede, segundo Giselle Corrêa, é formada em sua maioria por secretarias municipais de educação, assistência e saúde, universidades e a Fiocruz.

Com a certificação, Bruno Vantine e Geiza Soares passarão a integrar a Rede de Facilitadores do Programa Acesso, contribuindo para o fortalecimento das ações da Fiocruz e de toda a rede.